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Contexto histórico

A história da viticultura no Tejo é anterior à própria nacionalidade portuguesa, com manuscritos em papiro que sugerem que os romanos foram os principais responsáveis pela introdução da cultura na região. Diversos monarcas, como D. Afonso Henriques e D. Sancho II, deixaram referências históricas aos vinhos locais, que atingiram o seu apogeu comercial no século XIII, com exportações massivas para Inglaterra. Mais recentemente, entre 1900 e 1960, a vinha desempenhou um papel fundamental na colonização e no crescimento demográfico da região.

Terroir

Localizada no centro de Portugal e atravessada pelo Rio Tejo, a região possui condições naturais ímpares e divide-se em três zonas distintas:

  • O Campo (Lezíria): Planícies adjacentes ao rio com solos de aluvião muito férteis devido a inundações periódicas. É o território por excelência dos vinhos brancos, onde a casta Fernão Pires é a protagonista.
  • O Bairro: Situado entre o Vale do Tejo e os maciços montanhosos (como a Serra de Aires e Candeeiros), apresenta solos argilo-calcários em terrenos ondulados, ideais para castas tintas como a Castelão e a Trincadeira.
  • A Charneca: Localizada a sul do Campo, na margem esquerda do rio, possui solos arenosos e menos férteis que, embora produzam rendimentos menores, proporcionam um maior afinamento aos vinhos.

Clima: A região goza de um clima sul-mediterrânico temperado, fortemente influenciado pelo efeito moderador do Rio Tejo.

Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP)

A região utiliza as seguintes certificações para garantir a qualidade e origem dos seus vinhos:

  1. IGP “Tejo”: identifica vinhos produzidos com uvas da região, recorrendo a um conjunto mais alargado de castas — nacionais e internacionais — permitindo estilos diversos. Beneficiam igualmente dos terroirs característicos do Tejo, onde o Campo oferece brancos vibrantes, a Charneca origina tintos concentrados e o Bairro confere estrutura e profundidade. A produção está limitada a 225 hl/ha, refletindo um modelo que privilegia quantidade com controlo de qualidade.
  2. DOP “DoTejo”: certifica vinhos produzidos exclusivamente a partir de uvas colhidas e vinificadas dentro da área geográfica delimitada da região. Estes vinhos resultam de castas autorizadas e de uma viticultura fortemente influenciada pelos terroirs da região — Campo, Bairro e Charneca — e pelos seus solos aluviais, argilo‑calcários, arenosos e xistosos. A produção é limitada a 80 hl/ha nas tintas e 90 hl/ha nas brancas, assegurando concentração e qualidade. Esta denominação de origem pode ser complementada com a menção a seis sub-regiões protegidas, nomeadamente Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Santarém e Tomar.

Caderno de Especificações

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Tejo

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Do Tejo

Perfis dos Vinhos

  • Brancos: apresentam cores do amarelo‑citrino ao dourado, com aromas florais ou frutados. Em boca, mostram um perfil fresco e equilibrado, com acidez ajustada, corpo e persistência médios; com o estágio/tempo, podem evoluir para aromas mais complexos.
  • Tintos: a cor vai do rubi ao granada/vermelho-escuro, com intensidade média/variável. Os aromas são frutados quando jovens, podendo incluir fruta vermelha/madura e evoluir em complexidade com o tempo/estágio. Em boca, apresentam equilíbrio, alguma acidez, taninos suaves/integrados e corpo/persistência médios.
  • Rosados: evidenciam tonalidades entre o rosado e o salmão, de intensidade variável, com aromas frutados e perfumados — onde frutos vermelhos e notas florais são recorrentes. Na boca, destacam‑se pela frescura, acidez equilibrada e um perfil aromático e limpo, podendo apresentar boa estrutura e persistência.
  • Espumantes: exibem bolha média a fina, de persistência média a elevada, com cor amarelo‑citrino nos brancos, rosado a salmão brilhante nos rosados e rubi a granada de intensidade média nos tintos. Aromaticamente, os brancos mostram flores e fruta (polpa branca, tropical, caroço), os rosados combinam frutos vermelhos com notas florais, e os tintos evidenciam fruta madura (ameixa, uva fresca) com notas secundárias de fruta vermelha; em todos, podem surgir notas de estágio. Na boca, o perfil é fresco e equilibrado, com volume nos brancos e suavidade nos rosados e tintos, sempre com alguma acidez.
  • Frisante: apresentam bolha média a fina e persistência do perlage entre média e elevada. Nos brancos, a cor vai de amarelo‑citrino a amarelo‑palha e os aromas são primários florais e frutados (polpa branca, tropical, caroço); nos rosados, rosado a salmão brilhante com frutos vermelhos e notas florais; nos tintos, rubi a granada e aromas primários frutados e/ou florais. Em boca, destacam-se pela frescura, equilíbrio, alguma acidez e corpo/persistência médios.
  • Frisante Gaseificado: Com bolha média a fina e persistência entre média e elevada, os frisantes gaseificados apresentam, nos brancos, cores amarelo‑citrino a amarelo‑palha e aromas primários florais e frutados (polpa branca/tropical); nos rosados, rosado a salmão brilhante com frutos vermelhos e flores; e nos tintos, rubi a granada com aromas primários frutados e/ou florais. Na boca são leves, frescos e equilibrados, com alguma acidez; a presença de CO₂ confere vivacidade adicional.
  • Vinho Parcialmente Desalcoolizado: os brancos apresentam cores amarelo‑citrino a dourado, com aromas primários florais ou frutados; os rosados exibem rosado a salmão com aromas frutados e/ou florais; e os tintos mostram rubi a granada com aromas primários semelhantes. Em boca, todos se destacam por frescura e acidez equilibrada; os brancos trazem ainda corpo e persistência médios, enquanto rosados e tintos evidenciam boa estrutura.
  • Vinho Espumante Parcialmente Desalcoolizado: Com bolha média a fina e persistência entre média e elevada, os brancos apresentam amarelo‑citrino a dourado e aromas florais/frutados que podem integrar notas de estágio; os rosados vão de rosado a salmão com aroma frutado e/ou floral (podendo também refletir o estágio); e os tintos mostram rubi a granada (ou tonalidades do estágio), com aromas frutados e/ou florais. Em boca, todos se apresentam com acidez equilibrada e corpo/persistência médios nos brancos, e boa estrutura nos rosados e tintos.

Principais castas

Brancas

Tintas

Entidades certificadoras

A Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) é a entidade responsável pela gestão das DOP e da IGP. As suas funções delegadas pelo Estado incluem:

  • Proteção e Defesa: Proteção jurídica dos nomes e marcas da região.
  • Promoção e Desenvolvimento: promoção da região e dos produtos e formação técnica dos agentes da região.
  • Controlo e Certificação: Gestão dos cadernos de especificações e controlo da utilização da DOP e IGP.

Contactos

Rua de Coruche, n.º 85

2080-094 Almeirim

Telefone: (+351) 243 309 400

Email: geral@cvrtejo.pt

Site: https://www.cvrtejo.pt/

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