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Contexto histórico

A cultura da vinha na região de Lisboa desenvolveu-se consideravelmente a partir do século XII, durante a Idade Média, devido à ação de diversas Ordens Religiosas. Destaca-se o papel dos seguidores de S. Bernardo no Mosteiro de Alcobaça, da Ordem de Cister, que impulsionaram a produção de vinho para a celebração de missas. Os vinhos da então designada “Estremadura” alcançaram grande prestígio e tornaram-se um pilar da atividade económica regional. Atualmente, é reconhecida como uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal em termos de área de vinha e produção.

Terroir

A região abrange a faixa atlântica a Norte do estuário do Tejo, apresentando características geológicas e climáticas muito específicas:

  • Solo: Assenta maioritariamente em formações de argilo-calcários e argilo-arenosos. Na zona de Bucelas, predominam as “caeiras” (margas e calcários duros), enquanto Colares se divide entre o “chão de areia” (dunas) e o “chão rijo” (calcários e margas).
  • Clima: É temperado, sem grandes amplitudes térmicas, com uma pluviosidade anual entre 600-700 mm. A proximidade ao mar e o relevo (como a Serra de Montejunto) determinam a produção de vinhos com acidez acentuada e baixo grau alcoólico.

Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP)

A região de Lisboa é rica em certificações, contando com várias Denominações de Origem de grande tradição:

  1. IGP “Lisboa”: Abrange toda a região e inclui vinhos tintos, brancos, rosados, o famoso “Vinho Leve” (com 9 a 10% de álcool), espumantes e licorosos (sub-regiões da IG Lisboa: Alta Estremadura e Estremadura).
  2. DOPs Bucelas (famosa pelos brancos da casta Arinto), Carcavelos (vinho generoso raro) e Colares (conhecido pela tradição de vinhas em “pé franco” na areia).
  3. DOPs Centrais: Alenquer, Arruda, Torres Vedras e Óbidos.
  4. DOP Lourinhã: Exclusiva para a produção de aguardentes de qualidade.
  5. DOP Encostas d’Aire: Situada mais ao norte. (a região apresenta divisões específicas: Alcobaça e Ourém.).

Caderno de Especificações

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Lisboa

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Alenquer

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Carcavelos

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Bucelas

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Colares

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Encostas d’Aire

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Óbidos

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Torres Vedras

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Aguardente Vínica Lourinhã

Perfis dos Vinhos

  • Tintos: apresentam cores entre rubi e granada, aromas que variam de discretos a distintos e intensos, e sabores equilibrados com finais de persistência variável. A estes traços juntam‑se agora as características genéricas presentes na IGP Lisboa: aromas frutados de frutos vermelhos ou silvestres, por vezes com notas de bagas maduras ou até balsâmicas, e uma expressão mais marcada de elegância, estrutura, complexidade e taninos firmes mas bem integrados. As especificidades regionais mantêm-se: em Alenquer, tintos vinosos e brilhantes que evoluem para um raro bouquet; em Colares, a fusão distinta entre taninos e acidez; em Óbidos, tintos mais abertos e frutados; em Encostas d’Aire, cor de tinto mais aberta; e em Carcavelos, a particularidade dos tintos licorosos rubi-topázio.
  • Brancos: apresentam cores entre o amarelo-citrino, palha e dourado, aromas frutados ou florais, e sabores equilibrados com acidez marcada. A estes elementos juntam‑se as notas exclusivas da IGP Lisboa, como a mineralidade refrescante, a presença de aromas tropicais ou de fruta de polpa branca, bem como a descrição de brancos mais elegantes e com final longo e equilibrado. As distinções regionais permanecem: brancos aromáticos e persistentes em Alenquer; brancos amarelo-citrinos, frescos e aromáticos em Óbidos; cor amarelo‑citrino em Encostas d’Aire; e os perfis generosos palha‑amarelado a dourado‑carregado de Carcavelos.
  • Espumantes: Os espumantes das DOP Óbidos e Bucelas caracterizam-se por cor amarelo-citrino, aromas frutados com expressão de aromas secundários, espuma ou bolha fina e persistente e grande frescura. A estas características somam-se as descrições amplas da IGP Lisboa, que reforçam a elegância, o volume de boca, a acidez equilibrada, e — nos rosados — a cor salmão brilhante e uma riqueza aromática marcada por frutos vermelhos. Os espumantes tintos definidos apenas na IGP distinguem-se pela mousse vibrante, cor carmim persistente e notas vegetais e frutadas de uva fresca, com perfil fresco e harmonioso.
  • Rosados: apresentam cores rosadas de intensidade variável, aromas frutados e perfumados, dominados por frutas vermelhas e nuances florais, e um sabor marcado por frescura, acidez equilibrada, mineralidade refrescante, boa estrutura e um final longo e agradável.
  • Licorosos: A DOP Carcavelos define vinhos licorosos com cores que variam entre palha‑amarelado e dourado‑carregado nos brancos e rubi‑topázio nos tintos, acompanhados por aromas típicos, distintos e sem defeitos. A IGP Lisboa complementa este perfil, apresentando nos licorosos brancos aromas de frutos secos, especiarias, flor de laranjeira, mel e chocolate, e nos tintos nuances de compota de frutos silvestres, especiarias, tostados e chocolate. Em ambos, o final é elegante, equilibrado e prolongado.
  • Frisantes: brancos ou rosados, exibem cores entre o amarelo‑citrino e o dourado (nos brancos) e rosado de intensidade variável (nos rosados). Aromaticamente mostram notas florais ou frutadas, incluindo fruta tropical ou de polpa branca, e expressões nitidamente frutadas e perfumadas no caso dos rosados. Na boca são leves, frescos, com acidez marcada e evidente mineralidade; no caso do frisante gaseificado, a presença de gás carbónico realça ainda mais a vivacidade e frescura. Trata‑se de uma categoria específica da IGP, sem paralelo nas DOP da região.
  • Aguardente Vínica (DOP Lourinhã): pode exibir notas de álcool, fruta, baunilha, madeira, ranço bom, especiarias, frutos secos, torrado, fumo, caramelo, café ou adocicado. No sabor, pode manifestar doçura, macieza, corpo, untuosidade, evolução, complexidade, persistência, amargor ou ardor, desde que equilibrados e sem defeitos. Estudos mostram que os descritores mais associados à qualidade são o torrado, madeira, baunilha, corpo, frutos secos, fumo, especiarias, persistência e aroma de boca, enquanto notas como caramelo, doce ou macio surgem com menor intensidade do que noutras aguardentes. A Lourinhã distingue-se ainda pela elevada riqueza fenólica e atividade antioxidante, influenciadas pelo tipo e tosta da madeira usada no envelhecimento.

Principais castas

Brancas

Tintas

Entidades certificadoras

A Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVRL) é a entidade responsável pela gestão das DOP e da IGP Lisboa. As suas principais funções incluem:

  • Proteção e Defesa: Proteção jurídica dos nomes e marcas da região.
  • Promoção e Desenvolvimento: promoção da região e dos produtos e formação técnica dos agentes da região.
  • Controlo e Certificação: Gestão dos cadernos de especificações e controlo da utilização da DOP e IGP.

Contactos

Rua Cândido dos Reis n.º1

2560 – 312 TORRES VEDRAS

Telefone Geral: (+351) 261 316 724

Email: cvrlisboa@cvrlisboa.com

Site: http://www.vinhosdelisboa.com/

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