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Contexto histórico

O arquipélago dos Açores foi colonizado em meados do século XV, sendo atribuída aos Frades Franciscanos a introdução do plantio da vinha. Rapidamente se constatou que as condições das ilhas eram semelhantes às da Sicília, o que levou à introdução da casta Verdelho. O vinho produzido tornou-se tão famoso que foi exportado para todo o Norte da Europa e para a Rússia, tendo sido encontradas garrafas de Verdelho do Pico nas caves dos antigos czares após a revolução de 1917.

Terroir

Situadas a 1600 km da costa continental, as ilhas apresentam condições de cultivo únicas no mundo:

  • Solo: De origem vulcânica e relativamente recente, os solos são pouco espessos e constituídos por rochas basálticas, traquites e andesites.
  • Proteção das Vinhas: Devido à exposição aos ventos marítimos, as vinhas são cultivadas em parcelas cercadas por muros de pedra solta, conhecidos como “currais” ou “curraletas”, que protegem as plantas da ação erosiva do vento.

Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP)

A qualidade e o prestígio histórico dos vinhos açorianos levaram ao reconhecimento de certificações específicas:

  1. IGP “Açores”: abrange vinhos produzidos em qualquer das ilhas do arquipélago, permitindo maior flexibilidade varietal e estilística, mantendo sempre o forte caráter atlântico da região. O clima húmido, a elevada salinidade do ar, os solos vulcânicos pobres e a viticultura em currais conferem aos vinhos uma frescura marcante, acidez natural elevada e notas minerais distintivas. A IGP permite a produção de brancos, tintos e rosés, com forte predominância das castas tradicionais açorianas.
  2. DOP, focadas em três polos históricos de produção:
    • DOP “Pico”: é talvez a mais emblemática do arquipélago, com uma paisagem vitícola classificada como Património Mundial da UNESCO. As vinhas são plantadas entre rochas vulcânicas, em currais protegidos por muros de basalto que se estendem até ao mar. As castas Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantez do Pico dão origem a vinhos generosos e tranquilos de enorme frescura, marcada mineralidade e acidez cortante. Historicamente, os vinhos do Pico foram amplamente exportados para a Rússia e o norte da Europa nos séculos XVII e XVIII, sendo apreciados pelas cortes e valorizados pela sua qualidade e longevidade. A DOP Pico reflete a viticultura heroica açoriana e um terroir ímpar no mundo.
    • DOP “Graciosa”: certifica vinhos tranquilos produzidos na Ilha Graciosa, num território marcado por solos vulcânicos pobres, clima marítimo húmido e temperaturas amenas todo o ano. A viticultura desenvolve‑se em pequenas parcelas protegidas por muros de basalto, formando currais que resguardam as videiras dos ventos atlânticos e ajudam a acumular calor. As castas predominantes — Arinto dos Açores, Boal, Fernão Pires, Terrantez do Pico e Verdelho — originam vinhos brancos frescos, aromáticos e de marcada acidez natural. A DOP Graciosa destaca‑se pela pureza, delicadeza e identidade atlântica, revelando um dos perfis mais elegantes e minerais do arquipélago.
    • DOP “Biscoitos”: na Ilha Terceira, é uma das expressões mais autênticas da viticultura extrema açoriana. As vinhas são plantadas em pequenos currais de pedra vulcânica negra, num cenário quase lunar, protegidas do vento por muros que também armazenam calor. As castas Arinto dos Açores, Verdelho e Terrantez do Pico originam vinhos generosos de grande acidez, frescura incisiva e salinidade natural — características derivadas do clima atlântico e dos solos basálticos. Esta DOP preserva tradições seculares e vinhos que se destacam pela elegância marítima e pela firme estrutura mineral.

Caderno de Especificações

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Graciosa

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Açores

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Biscoitos

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Pico

Perfis dos Vinhos

  • Brancos: apresentam cor entre amarelo‑pálido e amarelo definido, aromas citrinos, frutados e ligeiramente tropicais, com notas iodadas. São vinhos de marcada acidez, forte salinidade e evidente mineralidade, resultando num perfil fresco, elegante e profundamente atlântico.
  • Tintos: são vinhos leves a médios, com fruta vermelha fresca, acidez equilibrada e taninos delicados. Revelam frescura, mineralidade e um carácter marítimo evidente, oferecendo um perfil elegante e distinto.
  • Rosados: mostram cores rosa a salmão, aromas frutados de frutos vermelhos e notas florais. São vinhos leves, muito frescos e minerais, com acidez marcada e final vibrante.
  • Espumantes: apresentam cores pálidas, aromas frutados e citrinos com notas minerais e, por vezes, fumadas. Têm bolha fina e persistente, acidez marcada, salinidade evidente e final fresco e persistente, refletindo fortemente o terroir atlântico.
  • Licorosos: exibem cor âmbar a acastanhada, com aromas de fruta de caroço, mel, caramelo, frutos secos e especiarias. Mostram acidez firme, salinidade e mineralidade, corpo e riqueza em boca, e um final persistente, podendo variar entre seco e meio‑doce.
  • Vinhos de Uvas Sobre amadurecidas: apresentam aromas de fruta muito madura e fruta passa, com evolução para compota e especiarias. Na boca são densos, frutados e sabor a especiarias, com notas de caramelo e salinidade, terminando frescos.

Principais castas

Brancas

Tintas

Entidades certificadoras

O Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores, IPRA (IVVA) é o organismo responsável pela gestão das DOP e da IGP. As suas principais funções incluem:

  • Proteção e Defesa: Proteção jurídica dos nomes e marcas da região.
  • Promoção e Desenvolvimento: promoção da região e dos produtos e formação técnica dos agentes da região.
  • Controlo e Certificação: Gestão dos cadernos de especificações e controlo da utilização da DOP e IGP.

Contactos

Rua Conselheiro Terra Pinheiro

9950-329 Madalena

Telefone: +351 292 242800

Email: geral.ivva@azores.gov.pt

Site: https://ivva.azores.gov.pt/

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