Nesta página

Contexto histórico

O Algarve é uma das regiões vitivinícolas mais antigas de Portugal, com uma tradição que remonta aos Fenícios e Gregos, responsáveis pela introdução da vinha entre os séculos VIII e VI a.C. A época romana marcou um período de grande expansão, com o vinho do Algarve a ganhar notoriedade e a ser exportado para várias zonas do império. A ocupação muçulmana trouxe um declínio do consumo, mas também importantes inovações agrícolas, que permitiram à viticultura subsistir até à Reconquista Cristã, altura em que o vinho recuperou importância económica e social, tornando-se um produto valorizado no comércio europeu e indispensável nas expedições marítimas portuguesas dos séculos XV a XVII.

 

Após períodos de prosperidade, a região enfrentou crises severas no século XIX, como as invasões francesas e a filoxera, levando a um declínio prolongado. O renascimento da viticultura algarvia surgiu apenas na segunda metade do século XX, com a recuperação de castas tradicionais — como a autóctone Negra Mole — e a modernização da produção. A criação das quatro DOC (Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira) e da IG Algarve consolidou a identidade vinícola da região, hoje reconhecida pela diversidade e qualidade dos seus vinhos.

Terroir

Localizado no extremo Sul de Portugal Continental, o Algarve é uma zona com feições únicas, moldadas pela proximidade do mar e pela sua cultura característica.

  • Clima: É acentuadamente mediterrânico: quente, seco e pouco ventoso, com amplitudes térmicas reduzidas. A região beneficia de uma barreira montanhosa que a protege dos ventos frios do Norte e de uma insolação superior a 3000 horas de sol por ano.
  • Solo: A diversidade geológica inclui solos litólicos, arenitos (como o grés de Silves), solos mediterrânicos vermelhos ou amarelos, entre outros.

Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP)

Dada a tipicidade que estas condições conferem aos vinhos, a região divide-se em diferentes certificações:

  1. IGP “Algarve”: abrange toda a região, permitindo flexibilidade na escolha das castas e estilos, mas mantendo o forte carácter mediterrânico que define os vinhos algarvios. A influência combinada da serra a norte e do oceano a sul assegura maturações completas, originando vinhos de perfil aromático marcado, perceção doce natural, suavidade e menor acidez.
  2. DOP Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira:  As quatro D.O.C. do Algarve representam a identidade histórica, geográfica e cultural da vitivinicultura algarvia. Os vinhos certificados resultam de castas tradicionais como Negra Mole, Crato Branco (Síria), Arinto, Trincadeira e Castelão, bem como de castas internacionais adaptadas ao território:
    • Lagoa
    • Portimão
    • Lagos
    • Tavira

Caderno de Especificações

file-earmark-pdf

Algarve

file-earmark-pdf

Lagos

file-earmark-pdf

Lagoa

file-earmark-pdf

Portimão

file-earmark-pdf

Tavira

Perfis dos Vinhos

  • Brancos: cor entre o amarelo-citrino e o amarelo‑palha e apresentam aromas frutados que podem incluir fruta madura, tropical, cítrica ou branca. São vinhos delicados, suaves e equilibrados, geralmente com acidez leve e corpo médio, oferecendo um perfil fresco e fácil de beber com eventual perceção alcoólica ou ligeiramente doce.
  • Tintos: apresentam cor rubi que evolui para tonais topázio ou granada com o envelhecimento. Revelam aromas frutados, sobretudo de fruta madura, e têm textura aveludada, corpo médio, taninos suaves e acidez reduzida. São vinhos acessíveis, macios e equilibrados, com teor alcoólico percebido e carácter muito frutado.
  • Rosados: exibem cor rosada a salmão, aromas frutados e florais e perfil jovem, suave e aromático. Têm acidez leve e muitas vezes uma perceção doce, resultando em vinhos frescos, leves e muito fáceis de beber.
  • Licorosos: podem ser brancos ou tintos e apresentam cores que vão do dourado ao âmbar nos brancos e do rubi escuro ao granada nos tintos. Mostram aromas de frutos secos, fruta confitada, mel ou florais, consoante o estilo, e têm textura elegante, persistente e macia, sempre sem defeitos aromáticos.
  • Espumantes: podem variar entre brutos, secos ou meio‑secos e apresentam perfil jovem com aromas florais ou frutados. Os brancos tendem a ser delicados e frutados, os tintos mostram-se secos e encorpados e os rosados revelam cor rosada leve, bolha fina e notas de fruta vermelha.

Principais castas

Brancas

Tintas

Entidades certificadoras

A Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) é a entidade responsável pela gestão das DOP e da IGP Algarve. As suas funções principais incluem:

  • Proteção e Defesa: Proteção jurídica dos nomes e marcas da região.
  • Promoção e Desenvolvimento: promoção da região e dos produtos e formação técnica dos agentes da região.
  • Controlo e Certificação: Gestão dos cadernos de especificações e controlo da utilização da DOP e IGP.

Contactos

Horta das Figueiras

EN. 125 – Bemparece

8400-429 Lagoa

Telefone: (+351) 282 341 393

Email: cva@vinhosdoalgarve.pt

Site: https://www.vinhosdoalgarve.pt/

Partilhar: