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Contexto histórico

A Ilha da Madeira foi descoberta por navegadores portugueses em 1418. O Infante D. Henrique cedo considerou a ilha privilegiada para a viticultura, tendo mandado vir da Grécia cepas da casta Malvasia (originárias de Napoli di Malvasia) para introduzir o seu cultivo. Desde o século XVII que a exportação do Vinho da Madeira é uma realidade consolidada.

Terroir

Localizada em pleno Oceano Atlântico, a paisagem vitícola da Madeira é única e indissociável da sua orografia acidentada.

  • Solo: De origem vulcânica e basáltica, com terrenos predominantemente saibrosos.
  • Clima: Caracteriza-se por ser ameno, beneficiando da proximidade com o mar.
  • Viticultura: A cultura é praticada em pequenos socalcos, o que torna a mecanização quase impossível, exigindo mão-de-obra para todo o ciclo cultural. O sistema de condução tradicional é a “latada” (pérgola), embora a “espaldeira” tenha sido introduzida em terrenos menos declivosos na segunda metade do século XX.
  • Estrutura fundiária: Predomina o minifúndio, com explorações que têm em média apenas 0,3 hectares, assemelhando-se ao modelo encontrado no Minho.

Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP)

  1. IGP “Terras Madeirenses”: certifica vinhos tranquilos (brancos, tintos e rosados) produzidos na ilha da Madeira, beneficiando do mesmo terroir vulcânico, do clima subtropical e da viticultura manual adaptada às encostas íngremes. A diversidade de castas e o uso de sistemas de condução como a latada e a espaldeira permitem explorar estilos modernos e versáteis, distintos do tradicional vinho licoroso. Estes vinhos podem usar menções como Reserva, Garrafeira, Grande Escolha ou Colheita Tardia.
  2. DOP “Madeira”: certifica o Vinho da Madeira, um vinho licoroso produzido exclusivamente na ilha numa paisagem marcada por declives acentuados, solos vulcânicos basálticos e forte influência marítima. A viticultura desenvolve‑se em socalcos íngremes (“poios”) e conduzida tradicionalmente em latada, refletindo a adaptação da ilha às suas condições extremas. A produção combina técnicas ancestrais com métodos únicos como a fortificação, a maceração diferenciada consoante o estilo, e os processos de envelhecimento em estufagem ou canteiro, que conferem longevidade, acidez vibrante e complexidade aromática. A DOP Madeira abrange vinhos de diferentes graus de doçura, cores, idades (dos 5 anos aos +50 anos), e categorias como Colheita e Frasqueira, representando um património histórico de mais de seis séculos de reputação internacional.
  3. DOP “Madeirense”: certifica vinhos tranquilos (brancos, tintos e rosados) produzidos na ilha da Madeira, numa paisagem vitícola marcada por declives acentuados, solos vulcânicos basálticos e forte influência atlântica. Esta denominação distingue‑se do Vinho Madeira licoroso, representando uma vertente mais moderna e versátil da produção vitivinícola madeirense. As vinhas são frequentemente conduzidas em latada ou, em terrenos menos inclinados, em espaldeira, e a vindima é totalmente manual devido à orografia exigente da ilha. Os vinhos DOP Madeirense podem exibir grande frescura natural, mineralidade e expressão aromática, derivadas do clima subtropical húmido e da proximidade constante ao mar.

Caderno de Especificações

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Terras Madeirenses

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Madeirense

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Madeira

Perfis dos Vinhos

  • Vinho da Madeira: vinho licoroso de elevada acidez, grande longevidade e complexidade, exibindo cores que evoluem de pálido/topázio para âmbar profundo. Mostra aromas característicos de frutos secos, madeira, caramelo, mel e especiarias, com final de boca longo e persistente. Os diferentes estilos, do extra-seco ao doce, e as castas tradicionais determinam perfis que vão de frescura cítrica a opulência rica e aveludada.
  • Brancos: frescos e aromáticos, com cores entre o amarelo‑esverdeado e o dourado leve. Revelam fruta tropical, cítrica ou branca, alguma mineralidade e acidez bem integrada. Têm corpo leve a médio, perfil harmonioso e persistência média.
  • Tintos: apresentam cor rubi ou violeta, aromas de frutos vermelhos e notas florais e de especiarias. Na boca são equilibrados, com taninos suaves, acidez presente e corpo médio, evoluindo com o tempo para maior complexidade aromática.
  • Rosados: mostram cor entre rosa‑violeta e salmão, aromas frutados e florais, e um perfil jovem, fresco e leve. Têm acidez equilibrada e boa persistência, sendo vinhos muito aromáticos e fáceis de beber.

Principais castas

Brancas

Tintas

Entidades certificadoras

O Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, IP-RAM (IVBAM) é o organismo responsável por definir, coordenar e executar as políticas de valorização e preservação do setor. As suas principais atribuições incluem:

  • Gestão e Fiscalização: Gerir o património vitícola e controlar a produção e comercialização dos vinhos e bebidas espirituosas da região.
  • Certificação e Qualidade: Estabelecer normas de qualidade e garantir o cumprimento dos cadernos de especificações.
  • Defesa e Promoção: Promover e defender o vinho de qualidade da Madeira nos mercados interno e externo.
  • Apoio Técnico: Prestar assistência técnica aos produtores e estimular o desenvolvimento empresarial do setor.

Contactos

Rua Visconde de Anadia, nº44

9050-20 Funchal

Telefone Geral: (+351) 291 211 600

Email: ivbam@madeira.gov.pt

Site: https://ivbam.madeira.gov.pt/

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